A indústria do medo


"Não se pode admitir, sob nenhum pretexto, ainda que pseudolegais, a obtenção de vantagens, regalias ou lucros com o crime, nem a industrialização do medo, por aproveitadores do desespero da população, a qual vive, hoje, como que numa verdadeira psicose manipulada e orquestrada". (BISMAEL B. MORAES - Delegado de polícia).

O Estado tem que proporcionar o "bem comum" e para isto é mister que haja segurança para a integridade física e patrimonial do cidadão. Contudo, o poder estatal nisto tem falhado de modo gritante e as pesquisas de opinião tem demonstrado o desespero do povo. O policiamento tem-se deteriorado ao longo dos anos, deixando o povo à mercê da própria sorte, ensejando o nascimento da "polícia mercenária", ou seja, os "justiceiros". Amolentada a Polícia, surgiu o banditismo empresarialmente organizado com a formação de "societas sceleris" com o objetivo do lucro fácil e criminoso, prosperando assaltos à bancos, sequestros e estelionatos. Como lógica decorrência de tal caos social, nasceu a próspera "indústria da proteção", feita na maioria das vezes, como "bicos", por próprios policiais que, assim complementam os parcos salários. E o povão que vive diuturnamente à mercê dos marginais? Ora, o povo que se dane! O interesse é dar proteção em condomínios de luxo, em transporte de valores, em vigilâncias remuneradas, ainda que para isto use-se armamento e viaturas do Estado. O povo? Que recorra ao Cardeal Arns... Não é possível fazer uma polícia moldada em horário comercial, e não funcionando em fins de semana. A polícia dorme placidamente e a marginália trabalha exaustivamente. Agrava tudo isto a odienta mixórdia entre polícia preventiva e repressiva, e necessitando da polícia, o cidadão é jogado para uma e outra e sai sem ter tido solução; Aliás, a polícia, como instituição é una. Diante disto, a solução é a que já se esboça: a municipalização da polícia. Ressalta-se que para o cidadão o seu "Estado" é o município onde ele mora, aí estão os seus bens e entes queridos, e é aí onde estão seus interesses imediatos, e uma guarda municipal motivada e atuante é o policiamento correto para a segurança. Fato notório é que a Polícia vive da ajuda do poder municipal, e sem tal ajuda de há muito estaria falida; sua sina é viver de chapéu na mão junto às prefeituras e quejandos. O modelo desta nova polícia municipal deve ser a extinta Guarda Civil do Estado de São Paulo que, no passado, granjeou fama internacional. O cidadão comum vive escorchado por pagamentos de tributos em todos os níveis e vive sob a égide da "indústria do medo", sendo o Estado moderno o dragão insaciável, que nunca dá a efetiva segurança ao súdito inerme.

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