Outro dia, estava de conversa com o gaúcho, amigo de longa data. Não hesitei em fazer uma pergunta que há muito tempo me apoquentava: Gaúcho! Indaguei. Só é gaúcho quem nasce no Rio Grande do Sul? Imediatamente o gaúcho se pôs a falar com aquele sotaque carregado e logo conclui: ser gaúcho é um Estado de Espírito. E disse, todo orgulhoso: sou nordestino e gaúcho ao mesmo tempo. Talvez este fato ilustre um pouco o que acontece com gente vindo de outros lugares, para Cotia. Cristina Oka e Afonso Roperto, que há algum tempo chegaram estrangeiros em Cotia e Caucaia e se tornaram gente da terra. Ser daqui, também é um Estado de Espírito. O casal pesquisador, traduziu este Estado de Espírito no livro que acabaram de lançar: Romaria & Caucaia O início de uma jornada histórica.
A leitura do livro é saborosa e divina. É leitura que se faz de uma só vez, Cristina soube entrar na privacidade de cada família e recolher com muita sensibilidade o que cada uma tinha de mais precioso. Famílias que zelavam pelo jeito antigo de viver. Neste tempo a família tinha um papel importante na socialização. O nome da escola, da rua, da igreja e de tantas outras obras ganhou sentido em Caucaia, agora tem história. A Romaria que você registrou deixou no ar uma sensação de que há algumas coisas que não têm explicação, porque simplesmente são divinas. Cristina e Afonso onde será que foi parar o Prof. Rodolfo?
O livro indica caminhos para outras pesquisas. A chegada dos imigrantes japoneses e a construção da ferrovia são temas que ainda guardam muitos segredos. Cotia e Caucaia precisam ser preservadas. Graças aos deuses que gente como Cristina e Afonso estão construindo um pedaço da nossa história e apontando que é possível viver melhor. Cristina, o livro que você escreveu provoca lembranças.