Falta água na cidade
O Reservatório Pedro Beicht está com um déficit acumulado de
382 milímetros de água (de abril/99 a 20.03.00), equivalente à praticamente toda a
chuva que, historicamente, ocorre durante os meses de abril e setembro. As chuvas de
janeiro, que é o mês normalmente mais chuvoso, ocorreram com intensidade 2,2 vezes mais
fortes na região Leste do que na Oeste. O ano hidrológico, que começa em outubro de um
ano e termina em setembro do seguinte, tem se mostrado extremamente seco, especialmente no
Alto Cotia, reduzindo drasticamente a vazão afluente e impossibilitando a recuperação
do manancial.
Essas são as conclusões dos levantamentos realizados pela Sabesp no Sistema Alto Cotia e, principalmente, junto ao Reservatório Pedro Beicht. Quem teve oportunidade de ir ao Reservatório no mês de março pode observar o quanto o nível das águas está baixo. É possível ver-se pequenas ilhas despontando em meio ao Reservatório. Os técnicos da Sabesp calculam o risco de esvaziamento da represa em 60% até o mês de junho. O que, evidentemente é inaceitável sob o ponto de vista de operação dos sistemas hidráulicos, como o caso da represa Pedro Beich.
Para diminuir o risco de esvaziamento da represa, a Sabesp iniciou um racionamento de água que atinge os municípios de Cotia, Embu, Embu Guaçu e Itapecerica da Serra. Atingindo uma população de 380.000 habitantes. E mais, a empresa pretende, a partir de julho deste ano, reduzir a produção de água do Alto Cotia para 700 litros por segundo, ou seja, deixar de retirar essa água da represa para permitir a sua recuperação. Esses 700 litros por segundo serão transferidos do Sistema Guarapiranga para o Alto Cotia. Outras obras emergenciais estão sendo realizadas para enfrentar a situação.
O Gerente da Divisional da Sabesp na região, Natalino Barbosa, lembra que a seca é um problema sério, mas, outros fatores também influem na falta de água: o desperdício. "É preciso que a população consuma a água sem desperdiça-la", afirma Barbosa. "A população precisa ter consciência de que a água é um líquido precioso. E, no Brasil, ainda não conseguimos reutilizar a água para o consumo humano, somente para fins industriais. Portanto, precisamos poupar água, mesmo depois do final do racionamento."
Hospital de Cotia
Segundo a assessoria de imprensa do Hospital de Cotia, o rodízio de água está provocando a adiamento de cirurgias agendadas no Hospital, porque o corte no abastecimento poderia comprometer a higiene pessoal dos pacientes internatos, a limpeza dos centros cirúrgicos e a lavagem das roupas e dos instrumentos utilizados pelos médicos.
O centro hospitalar, que gasta 200 mil litros de água por dia, tem reserva suficiente para 24 horas de fornecimento ininterrupto. A Sabesp está enviando caminhões-pipa para abastecer as caixas dágua do hopital, mas, segundo a assessoria de imprensa, a quantidade tem sido insuficente.