Escândalo em Cotia. "Isto é uma farsa!",

diz o advogado da família Kayano.

"Os terrenos onde se encontram o Hospital de Cotia, a Sabesp e outros imóveis, estão todos regularizados", garante o advogado Marcondes Tadeu da Silva Alegre.

Leia nas páginas 6 e 7

O que pode estar por trás de uma manchete sensacionalista? Muitas terras e interesses envolvidos, muitas histórias mal contadas, livro de escrituras do 2º Cartório de Notas de Cotia, inexplicavelmente desaparecido ... Mas, não é só. Uma parte das terras foram doadas ao Hospital de Cotia, construído graças ao esforço e empenho de uma comunidade. Se as terras doadas pelo senhor Kayano não eram dele, então elas não são mais do hospital? Este marco da comunidade cotiana corre algum risco?

O advogado da família Kayano, Marcondes Tadeu da Silva Alegre, garante que tudo não passa de uma farsa. As terras pertencem à família Kayano, as doações feitas à comunidade, continuam pertencendo à comunidade, caso do Hospital de Cotia. No livro Hospital Dr. Odair Pedroso: um símbolo, do professor Marcos Roberto Bueno Martinez, editado pela A9 Serviços Empresarias, na série Coleção Em Cotia, que conta a história desse marco da cidade, está escrito na página 20:

"O Hospital de Cotia está construído num terreno de cerca de 10 mil metros quadrados, doado pelo munícipe japonês Kayano, conhecido como um dos pioneiros na plantação de batatas."

Na página 29, do mesmo livro, a legenda de uma foto esclarece: "Terreno onde hoje se localiza o Hospital de Cotia. A família Kayano doou 10 mil metros quadrados na época." Na página 35, outra legenda, de uma foto tirada em 1968, diz: "Primeira visita ao terreno do sr. Kayano, onde foi construído o Hospital."

Vale ler atentamente o livro citado e observar como o jornal A Gazeta de Cotia, um dos mais tradicionais da região, acompanhou e noticiou todo o movimento que resultou na doação das terras e na construção do Hospital. Agora, o mesmo jornal estampa manchetes (edições nºs 584 e 585) afirmando que o terreno, inclusive onde se localiza o Hospital, estão sendo anuladas pela Corregedoria. "Isso é mentira", diz o advogado Marcondes que acaba de fazer um amplo levantamento de documentos que comprovam a regularidade da propriedade do Sr. Isao Kayano.

O advogado Marcondes tem em mãos os seguintes documentos:

  1. certidão de propriedade referente à matrícula nº 59.189, em nome de Isao Kayano, expedida aos 16.02.2000, pelo Cartório de Registro de Imóveis de Cotia, não constando nenhum ônus ou cancelamento de registro;

  2. certidão do 11º Cartório de Registro de Imóveis da Capital, datada de 24.01.2000, a qual se refere à transcrição nº 136.510, em nome de Isao Kayano, que é o registro anterior, não havendo qualquer ônus ou cancelamento de qualquer inscrição;

  3. certidão do 5º Cartório de Registro de Imóveis da Capital, datada de 24.01.2000, a qual se refere à transcrição nº 152, em nome de Guenzo Kayano, que é o registro anterior, seguindo a cadeia registrária, não constando nenhum ônus ou cancelamento de qualquer inscrição;

  4. certidão expedida pelo Cartório da Corregedoria Permanente da Comarca de Cotia, datada de 15 de fevereiro de 2.000, certificando que não existe nenhum procedimento administrativo tendo por objeto a apuração de irregularidades e eventual cancelamento da matrícula nº 59.189, do Cartório de Registro de Imóveis, cujo imóvel consta estar registrado em nome de Isao Kayano;

  5. cópia autenticada de parecer da Corregedoria Geral da Justiça, assinada pelo Juiz Auxiliar Dr. Antonio Carlos Moraes Pucci, datado de 30.1198, em cujo parecer foi opinado pelo indeferimento dos vários pedidos de Antonio Paschoal Del Gaizo, inclusive do não cabimento de cancelamento de matrículas;

  6. cópia autenticada da decisão do Des. Sérgio Augusto Nigro Conceição, Corregedor Geral da Justiça, datada de 03.12.98, a qual acolheu o parecer acima referido, para indeferir os pedidos de Antonio Paschoal Del Gaizo.

"Todos esses documentos", informa o advogado Marcondes, "estão sendo exibidos em juízo, através da ação de danos morais movida por Isao Kayano contra A Gazeta de Cotia, Waldemar Paioli e Antonio Paschoal Del Gaizo." O advogado vai mais além: "existe fundado indício de que, em verdade, de acordo com parecer do Tabelião de Notas de Cotia, Dr. Denizart Vicente Azevedo, documentos juntados por Antonio Paschoal Del Gaizo, perante a Corregedoria Permanente (processo nº 06/99), são de duvidosa autenticidade."

Para o advogado: "é provável que Antonio Paschoal Del Gaizo tenha o original de uma certidão do 2º Cartório de Notas de Cotia, que se refere a uma compra e venda de terras ocorrida em Cotia na data de 15 de maio de 1.925, cuja escritura teria sido lavrada no livro 48, fls. 49, do mesmo Cartório, sendo que esse livro está desaparecido, razão pela qual Antonio Paschoal Del Gaizo vem insistindo na Corregedoria pela restauração de tal livro."

O advogado Marcondes lembra que no Tabelionato de Cotia existe o livro índice que se refere ao livro desaparecido. "E, mais, o Tabelião informou à Justiça e até à autoridade policial que preside o inquérito policial a respeito do desaparecimento do livro notarial, que não consta qualquer escritura de venda de terras, tendo como partes, as mesmas pessoas indicadas na certidão cujo original deve estar com Antonio Paschoal Del Gaizo. Tais pessoas seriam Belarmino Simão, como vendedor e Jorge Gaizo, como comprador."

Além de não constar nada no índice do livro desaparecido, comenta o advogado Marcondes, outros fatos são apontados pelo Tabelião atual de Cotia, em seu parecer, que chamam muito a atenção e certamente, segundo Marcondes, serão objeto de investigação criminal. "Na certidão acima referida, constam que seriam, respectivamente, oficial maior e tabelião, Nelson Feltrin e Sérgio Giannetti. Ora, segundo consta no Cartório, na época da data da certidão (26.06.73), o Tabelião era Roque de Moraes Victor e Nelson Feltrin não era o oficial maior. Outro detalhe importante: existe uma réplica da certidão de 1973, porém com a data de 15.04.1981, o que causou muita estranheza ao atual Tabelião, sem falar que na certidão de 1973, consta a data do impresso oficial, que é de outubro de 1.980. Deste modo, como poderia se expedir uma certidão em 1.973, se o papel que foi utilizado foi impresso somente em 1.980?"

 

 

 

E para provar ele apresenta um documento do 2º Tabelião de Notas e Protesto de Letras e Títulos, assinado pelo Bacharel Tabelião, Denizart Vicente Azevedo, onde está dito:

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