Vargem Grande Paulista:

Das marcas do passado às conquistas do presente

O livro organizado pela pedagoga Vânia Carvalho de Araújo, da Universidade Federal do Espírito Santo, doutoranda da USP e assessora pedagógica da Escola Aurora, de Vargem Grande Paulista, foi lançado dia 26 de novembro às 19 horas, na Associação Cultural e Esportiva de Vargem Grande Paulista (R. Raposo Tavares, Km 45,2).

"Tudo começou com os alunos do 3º da Escola Aurora", conta Vânia. "Como parte do currículo, eles fazem uma pesquisa sobre a história de seu município. Os alunos começaram a entrevistar os moradores mais antigos e o material se tornou rico em conteúdo. "

Com a parceria do Prefeito, Antonio Manoel da Silva; do presidente da Câmara Municipal, José Roberto dos Santos; e apoio cultural do Auto Posto 45, do laboratório Biovet e do Raposo Tavares Materiais de Construções, Vânia partiu em busca dos primórdios desse município, que completa 18 anos de emancipação político-administrativo.

"Fui percorrendo todo o caminho do século passado, até o momento atual de Vargem Grande. Algumas versões dizem que D. Pedro gostava de vir nesta região de fauna e flora riquíssima, caçar em uma das fazendas do Nhô Benê, no bairro da Lagoa." Vânia foi atrás de uma explicação para o nome Vargem Grande. "Dizem que aqui era uma região com muita plantação de feijão com vargem de tamanho descomunal, daí teria se originado o nome".

A vila, que também se chamou Raposo Tavares, foi elevada a categoria de Distrito em 1963. Os moradores começaram então o movimento para a emancipação municipal, conquistada em 1981, após plebiscito realizado em dia de muita festa e alegria. O prefeito de Cotia, Carmelino Pires deu todo o apoio para que o Distrito, pertencente a Cotia, conquistasse sua emancipação.

O livro, com 104 páginas e recheado de fotos antigas, fala de figuras muito conhecidas na cidade. A família Matias Maciel é uma delas. Segundo as pesquisas, essa família mudou-se para Vargem Grande quando suas terras no Morro Grande de Cotia foram desapropriadas para a construção da Represa Pedro Beicht. O patriarca veio com as filhas e genros, dentre eles, o Valêncio Soares Rodrigues e o Leonardo Soares Rodrigues, hoje nomes de ruas e escolas.

A história de famílias tradicionais, dos descendentes de Matias Maciel, dos Novaes, do senhor Hélio Bigarelli e dos Rocha, dentre outras, está no livro. Em 1952 foi construído o Auto Posto 45, único lugar que ficava aberto 24 horas. "O Miguel e o Álvaro, do Auto Posto 45, lembram que era preciso uma hora para abastecer um caminhão, isso na época em que as bombas eram à manivela."

Vânia escreve sobre a chegada dos japoneses, por volta de 1921, e a perseguição que sofreram durante a 2ª Guerra Mundial.

Segundo Vânia, o maior desafio para Vargem Grande no próximo século é saber trabalhar o desenvolvimento sustentável. "A tradição agrícola, com muita produção de flores e batatas, se choca com a chegada desorganizada de algumas indústrias. Não haverá projeto para o município que resista a essa rápida transformação, se não houver a intensa conscientização e participação da população."

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