Árvore do mês

Eucalipto

Por Eduardo Luís Catharino

Engenheiro Agrônomo, mestre em Botânica e pesquisador científico do Instituto de Botânica de São Paulo

 

Nomes populares: Eucalipto, calipe, eucalipto-prateado, eucalipto-cheiroso, eucalipto-saligna, eucalipto-robusta, etc

Família: Myrtaceae

Espécie: Eucalyptus grandis, E. robusta, E. saligna, E. citriodora, E. urophylla e outras.

Estão sob o nome popular genérico de "eucalipto" muitas espécies exóticas cultivadas, do gênero botânico Eucalyptus, originário do país dos Cangurus, a Austrália e outras ilhas da Oceania. Em seu país de origem formam florestas gigantescas onde vivem os famosos "coalas", marsupiais da família dos cangurus, que adoram comer seus brotos e espreguiçar-se nas suas robustas galhadas.

Segundo consta, foram introduzi-dos no Brasil em 1910, por Navar-ro de Andrade, que difundiu o seu cultivo. O primeiro Código Florestal brasileiro (1934), incen-tivava o plantio de florestas homogêneas, em detrimento das heterogêneas primitivas, derruba- das em grande parte para o plantio de eucaliptos. Foi Navarro de Andrade que assinou este código, enquanto Ministro da Agricultura. No entanto, há informações que eucaliptos da espécie E. saligna, foram introduzidos no Horto Florestal da Cantareira (São Paulo) em 1896 por Alberto Loefgren.

Inicialmente usada para carvão, que movia as locomotivas à vapor, hoje é amplamente utilizado para produção de pasta de papel e celulose; na construção civil; em postes e mourões; desinfetantes (eucaliptol); produtos medicinais; lenha para padarias e similares; móveis; entre outros. Suas floradas oferecem bom pasto para abelhas, produzindo mel de excelente qualidade e com muitas propriedades medicinais.

Sendo exóticas (não nativas do local) são plantadas para utilização humana. Uma plantação de eucalipto difere de outra cultura pelo porte arbóreo, formando floresta ao invés de horta ou pomar. Assim, o seu corte é livre, salvo raras exceções. No Horto da cidade paulista de Rio Claro vale a pena visitar o museu Navarro de Andrade, para conhecer as mais diversas utilizações do eucalipto e sua história, ou passear pelos bosques e trilhas, vendo de perto os mais velhos eucaliptos do Brasil, com apenas 90 anos já gigantescos, alguns com até 75m de altura e 3m de diâmetro.

Juntamente com as sequóias norte-americanas estão entre as maiores árvores do mundo, atingindo até cerca de 100 metros de altura! As mais altas árvores brasileiras, castanheiras e poucas espécies amazônicas, atingem no máximo 50-60m. As robustas araucárias ou paineiras, dos artigos anteriores, não ultrapassam 40-45m, sendo das maiores árvores do sul do Brasil. Os eucaliptos introduzidos normalmente pertencem ao grupo das gigantes (notadamente E. grandis), atingindo entre 45-55m e facilmente os 60-70m. Existem espécies ornamentais de menor porte, raras no Brasil, enquanto outras são plantadas para extração de óleos essenciais (E. citriodora) ou ornamentação de praças, arranjos florais (eucalipto-prateado). As gigantes não devem ser utilizadas em paisagismo ou cidades, podendo causar problemas ao humano e suas habitações.

Sua grande utilidade ao homem, associada ao crescimento assombrosamente rápido, no início mais de 3 metros/ano, os faz serem as árvores mais plantadas do Brasil, que domina uma das melhores, senão a melhor, tecnologia para sua produção e utilização, possuindo material genético altamente selecionado, por vezes mais produtivos que os ancestrais importados. Eucalyptus grandis, a mais plantada, tem uma área ocupada de 3 milhões de hectares (1998, ESALQ/USP), equivalente a área do Estado das Alagoas.

Graças ao crescimento rápido e ampla transpiração foliar (mesmo no inverno, pois perde pouco as folhas), é tido como árvore que seca o solo. Realmente, funcionando como uma bomba d’água, succiona e joga para a atmosfera a água do solo ao redor, competindo com outras plantas, provocando o rebaixamento do nível do lençol de água do solo, nas épocas mais secas do ano. Retirados os eucaliptos, o nível de água tenderá a voltar ao normal.

Os eucaliptos foram tão disseminados que nem nos damos conta de que são árvores exóticas ao país, interferindo brutalmente na paisagem brasileira deste século, juntamente com os Pinus exóticos (P. caribaea, P. elliottii). Talvez esta seja a maior mudança recente em nossa paisagem, além dos canaviais e outras extensas monoculturas, contrastantes com a megadiversidade de nosso país tropical!

Dica: Mesmo querendo uma árvore que cresça rápido, não plante eucaliptos. Ele ficará monstruoso e você terá de cortá-lo. Sua remoção é sugerida nas cidades, procurando substituí-lo por espécies nativas ou indígenas. Sua madeira tem muitas utilidades, evitando o corte das nativas. Quando for plantar uma árvore, escolha espécies adequadas e não se esqueça, ela vai crescer.

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