A luta em defesa do Hospital de Cotia

O Dr.Wilson Pereira de Souza, um dos diretores do Hospital de Cotia, no cargo há 6 meses, compara o atual momento com a fase anterior, quando trabalhou como pediatra de 1977 a 1984. "No final dos anos 70 a situação não era diferente, talvez até pior", conta o diretor. "O que notei é que o hospital cresceu muito. Quando sai daqui ele atendia basicamente maternidade, pediatria, alguma coisa de clínica e algumas cirurgias gerais. O aparelho de Raio X só funcionava nos horários comerciais, o laboratório a mesma coisa."

Ele lembra que o Hospital não tinha a complexidade que tem hoje, não tinha UTI, eram 50 leitos contra 160 de hoje. "Em 15 anos o hospital triplicou. É claro que a complexidade aumentando o custo de manutenção cresceu. Cotia também cresceu, antes tinha 50 mil habitantes, hoje, tem 140, 150 mil; além dos moradores de Vargem Grande Paulista, Itapevi e Embu, que procuram o hospital."

Segundo o diretor, a pressão por leito é muito grande na região. "A taxa de ocupação no primeiro trimestre do ano foi de 97,6% em média. O saldo quanto ao crescimento é positivo, entretanto o déficit é permanente, embora administrável".

O grande problema do momento, observa o diretor, é a decisão do Governo do Estado de reduzir em 20% a verba destinada ao hospital. "A verba anterior era de R$ 550 mil, sendo R$ 150 mil para o ambulatório e R$ 400 mil para internações. Agora, o governo vai enviar só R$ 410 mil, sendo R$ 120 mil para o ambulatório e R$ 290 mil para internações. Para se ter uma idéia, se antes nós fazíamos mil internações, agora só poderemos fazer 800."

Segundo o Dr. Wilson, o Governo Estadual informa que houve uma diminuição no repasse do Governo Federal para o Sistema Único de Saúde. Apesar do hospital ter sido criado para atender à comunidade, uma das saídas adotadas tem sido o atendimento a Convênios, que acontece já há 5 anos, o convênio Cotia Saúde já tem 3 anos. "Essas foram iniciativas para aumentar a receita", explica.

O que a equipe do hospital quer é mobilizar a comunidade, para receber contribuições de maneira organizada. "Nós precisamos de recursos não só para pagar os funcionários e comprar remédios, mas para comprar equipamentos, fazer ampliações e reformas. Nós temos uma auditoria externa permanente, independente, tudo é checado, tudo é documentado. Nossa luta primeira é não restringir o atendimento."

Foi para alertar a população para a situação que o hospital enfrenta, que os funcionários organizaram um Ato Público e uma Passeata no dia 23 de julho. Eles pararam avenidas e chegaram até a Rodovia Raposo Tavares. O grupo da 3ª Idade de Cotia acompanhou a manifestação.

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